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DeSantis proíbe câmeras de reconhecimento de placas em rodovias estaduais após investir milhões nelas

Flórida remove câmeras após preocupações com privacidade, mesmo após milhões em incentivos para fiscalização migratória

·6 min de leitura

vista de uma rodovia estadual da Flórida com árvores ao lado e céu azul, mostrando faixas e placas de trânsito
Foto: FOX 35 Orlando / reprodução

Proibição das câmeras nas rodovias estaduais

Na Flórida, o governador Ron DeSantis proibiu o uso de câmeras automatizadas de reconhecimento de placas de veículos em rodovias estaduais. Segundo ele, a tecnologia pode levar a abusos governamentais e ameaçar a privacidade pessoal.

A medida obriga as agências locais a removerem esses equipamentos das estradas sob controle estadual em até 30 dias. A Secretaria de Transporte da Flórida notificou que não emitirá novas permissões para instalação das câmeras nas rodovias do estado.

Contradição entre investimento e proibição

A decisão surpreende porque, no último ano, o governo aprovou cerca de US$ 4,6 milhões (aproximadamente R$ 25 milhões) em pedidos de ajuda financeira para 18 órgãos de segurança locais adquirirem cerca de 440 câmeras para reforçar a fiscalização migratória. Esses valores fazem parte de um programa maior de US$ 250 milhões (R$ 1,3 bilhão) lançado em 2025 para apoiar operações com o U.S. Immigration and Customs Enforcement, agência federal de imigração dos EUA.

Ao todo, US$ 147 milhões (R$ 802 milhões) em subvenções foram aprovados, mas apenas US$ 21 milhões (R$ 115 milhões) foram liberados até o momento. As solicitações detalhavam que as câmeras serviriam para identificar rotas de contrabando humano e auxiliar em investigações migratórias. Por exemplo, o condado de St. Johns planejava instalar equipamentos na Rodovia Interestadual 95 (about 1.900 km na costa leste) e armazenar dados por até um ano para mapear padrões de deslocamento e possíveis locais de residência e trabalho.

Tecnologias e reação pública

As câmeras, fornecidas por empresas como a Flock Safety, utilizam inteligência artificial para reconhecer placas, além de identificar marca, modelo e cor dos veículos.

Apesar do uso crescente entre órgãos policiais para encontrar carros roubados, suspeitos procurados e veículos vinculados a crimes, preocupações com a privacidade cresceram. Ativistas e legisladores alertam que o armazenamento prolongado dos dados pode permitir o monitoramento dos deslocamentos diários de cidadãos comuns.

Casos de uso indevido da tecnologia também aumentaram a preocupação.

O governador DeSantis argumentou que o rastreamento da movimentação das pessoas poderia gerar um mercado para venda dessas informações a empresas para marketing e publicidade.

O xerife do Condado de Bradford, Gordon Smith, reconheceu o valor das câmeras para investigações, porém, afirmou que as inquietações da comunidade foram decisivas para a retirada dos aparelhos.

“Esses sistemas nos ajudaram a resolver casos e encontrar pessoas que precisavam ser localizadas. Eles são uma ferramenta útil. Mas o estado tomou sua decisão, e ouvi pessoas na comunidade que se sentem desconfortáveis com essa tecnologia. Por isso, acredito que o correto é removê-las”, declarou.

Dilema na política de fiscalização migratória

A situação demonstra um conflito na gestão da fiscalização migratória na Flórida. Ao mesmo tempo em que o governo investe alto em tecnologia para identificar e interceptar suspeitos de violações de leis de imigração, cresce a preocupação com a vigilância estatal sobre a população em geral.

A nova política força os órgãos locais a revisarem projetos recentes e levanta dúvidas sobre como equilibrar a atuação rigorosa contra a imigração irregular com a proteção da privacidade dos cidadãos.

O gabinete do governador não respondeu a pedidos de informação sobre a contradição entre a liberação dos recursos para as câmeras e a suspensão do uso nas rodovias estaduais, nem se os órgãos beneficiados que ainda não instalaram os equipamentos terão que devolver o dinheiro ou alterar seus planos.

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