Netanyahu foca na união de sua base dividida para garantir a reeleição em Israel

Desafio para Netanyahu nas eleições
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, está focado na busca pela reeleição que acontecerá em 27 de outubro de 2026. Porém, seu maior desafio não são os adversários políticos, mas sim algumas das pequenas legendas que o apoiam. Partidos pró-Netanyahu, incluindo blocos de linha dura liderados por ministros polarizadores como Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, estão fragmentando a base eleitoral, o que pode comprometer as chances do líder.
Contexto político e eleitoral
A eleição é vista como um referendo sobre os quase 17 anos de governo quase ininterrupto de Netanyahu, marcado por grandes protestos, os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023 e quase três anos de conflitos. A vitória nas urnas representaria um retorno marcante para Netanyahu, enquanto a derrota pode encerrar seu domínio político que dura três décadas.
Em Israel, o sistema eleitoral é proporcional, ou seja, os eleitores votam em partidos, não em candidatos individuais. O parlamento, chamado Knesset, tem 120 cadeiras, e para um partido ganhar representação precisa alcançar ao menos 3,25% dos votos. Nenhum partido conseguiu maioria absoluta, o que obriga a formação de coalizões para governar, geralmente lideradas pelo chefe do maior partido. Atualmente, Netanyahu comanda uma coalizão formada por partidos religiosos e ultranacionalistas.
Divisão e riscos de dispersão de votos
As pesquisas indicam que a popularidade do governo caiu após os ataques do Hamas, os mais mortais da história de Israel, e os conflitos subsequentes em Gaza, Líbano e Irã. A divisão entre partidos da ala dura que apoiam Netanyahu pode prejudicá-lo ainda mais.
As legendas "Religious Zionism", liderada por Bezalel Smotrich, e "Jewish Power", de Itamar Ben-Gvir, que concorreram juntas em 2022, rejeitam se unir novamente devido a desentendimentos pessoais. Além disso, partidos menores formados por ex-integrantes do Likud de Netanyahu e por um general aposentado de linha dura disputam o mesmo eleitorado, diferenciando-se mais pelos líderes do que pela ideologia.
Se algum desses partidos pequenos não atingir o percentual mínimo, seus votos serão perdidos, reduzindo o total de cadeiras possíveis para Netanyahu. A dispersão dos pequenos partidos foi um fator decisivo para sua derrota em 2021, enquanto a rivalidade entre opositores ajudou na sua volta em 2022.
Apelo pela união e prazo para decisão
Netanyahu tem intensificado os apelos para que seus aliados formem blocos maiores, mesmo que isso exija concessões pessoais, para garantir a passagem ao parlamento e a continuidade de seu governo.
Na quarta-feira, um partido menor concordou em se integrar à lista de Smotrich, apontando para um possível caminho de consolidação. O prazo para que as legendas se unam, desistam ou mantenham candidaturas independentes termina em 8 de setembro, decisão que pode definir o destino eleitoral de Netanyahu.
Em entrevista ao canal 14, conhecido por ser porta-voz não oficial do primeiro-ministro, Netanyahu afirmou que apenas ele poderia derrotar o Hamas e evitar um Estado palestino. Ele alertou que a vitória da chamada "esquerda" seria desastrosa para o país e reforçou: "Quando nos unimos, vencemos. Quando nos dividimos, perdemos."



