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Salário mínimo da Flórida atinge US$ 15 por hora a partir desta semana

Aumento foi resultado da mobilização de eleitores em Emenda aprovada em 2020, com impacto em milhões de trabalhadores

·6 min de leitura

Rua residencial na Flórida Central com palmeiras, prédios baixos e céu azul com nuvens, vista geral do bairro
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial

Vitória histórica para o salário mínimo

O salário mínimo da Flórida atingirá US$ 15 por hora, resultado de uma mobilização popular que não dependeu apenas da vontade política dos legisladores, mas da determinação dos próprios moradores do estado. Em 2020, a Emenda 2, que propôs o aumento gradual do salário mínimo para US$ 15, foi aprovada com o voto de mais de seis milhões de eleitores, superando inclusive os votos para os candidatos presidenciais Donald Trump e Joe Biden. Isso colocou a Flórida como o primeiro estado no Sul dos EUA a traçar esse caminho de valorização dos salários mínimos.

Campanha organizada por diversos grupos

Ativistas como Sam Ronen, de Tampa, e Kelly Benjamin, que tem longa trajetória nos movimentos sociais, destacam que o movimento começou antes mesmo da Emenda 2 ser levada a voto. A campanha envolveu uma coalizão ampla, incluindo líderes religiosos, trabalhadores de fast-food, defensores dos direitos dos imigrantes e sindicatos trabalhistas. O apoio popular se fortaleceu pelo sentimento geral de insatisfação econômica, que encontrou na luta pelo salário mínimo um foco mobilizador. Além disso, esforços anteriores, como a aprovação em 2004 de uma medida que aumentou o salário mínimo estadual pela primeira vez, deram suporte para o sucesso da Emenda 2.

Impactos e desafios atuais

A fase final da Emenda, que prevê aumentos anuais de US$ 1 desde 2020, entrará em vigor em 30 de setembro de 2026, estabelecendo o salário mínimo em US$ 15 para trabalhadores sem gorjeta, contra US$ 8,56 naquele ano. Para quem recebe gorjetas, o mínimo será de US$ 11,98. Segundo Rich Templin, diretor político da federação sindical Florida AFL-CIO, a maior parte dos trabalhadores que ganham salário mínimo são adultos acima de 25 anos, e não adolescentes iniciando no mercado. Embora a nova faixa salarial seja uma conquista, especialistas como a analista Alexis Tsoukalas destacam que US$ 15 ainda não é suficiente para cobrir o custo de vida básico em nenhum condado da Flórida. Estimativas indicam que o salário considerado adequado para viver com dignidade varia de US$ 24 a quase US$ 40 por hora, dependendo do tamanho da família.

Do ponto de vista político, nem os Democratas nem os Republicanos na Flórida apoiaram oficialmente a Emenda 2. A oposição empresarial foi forte, incluindo investimentos milionários para derrotar a medida. Desde então, a legislatura dominada pelos Republicanos aprovou leis que restringem os direitos trabalhistas e tentaram permitir salários inferiores para estágios e programas de aprendizado. Ainda assim, ativistas veem a aprovação do aumento do salário mínimo como prova do poder da organização popular.

Além da Flórida, outros 20 estados e o Distrito de Columbia também alcançaram ou estão em processo de alcançar um salário mínimo de US$ 15. Apesar disso, o governo federal mantém o salário mínimo em US$ 7,25 por hora desde 2009. A aprovação da Emenda 2 mostra uma estratégia alternativa para avanços na pauta trabalhista, especialmente em estados com legislaturas resistentes.

A história do aumento do salário mínimo na Flórida reflete a luta contínua por melhores condições econômicas para milhões de trabalhadores do estado, destacando a importância da participação popular e da articulação coletiva.

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