Temporada de furacões no Atlântico tem início mais tardio e sem tempestades até agora

Início tardio da temporada no Atlântico
A temporada de furacões no Atlântico, que vai de 1º de junho a 30 de novembro, está mais da metade concluída e ainda não houve registro de nenhum furacão, um recorde de atraso. Até 15 de setembro, foram formadas cinco tempestades tropicais nomeadas, mas nenhuma evoluiu para furacão.
O início médio do primeiro furacão costuma ser em 11 de setembro, e o pico da temporada, segundo o Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA (NOAA), ocorre por volta de 10 de setembro. Em média, até 16 de setembro, quatro furacões já teriam se formado, e até 19 de setembro, dois deveriam ser furacões principais (categoria 3 ou superior).
Impacto do El Niño na temporada de furacões
A baixa atividade na temporada do Atlântico está provavelmente associada ao evento climático El Niño no Oceano Pacífico. O El Niño é caracterizado por um aquecimento da temperatura da superfície do mar acima de 0,5 °C durante cinco períodos consecutivos de três meses. Atualmente, a anomalia de temperatura chegou a 2 °C, o que configura um "El Niño muito forte".
Este fenômeno influencia a temporada de furacões de diferentes maneiras: enquanto no Pacífico o El Niño tende a aumentar a quantidade de furacões, no Atlântico ele reduz a formação destas tempestades. Na situação inversa, chamada La Niña, o Pacífico vê menos furacões e o Atlântico mais.
Para 2023, o NOAA prevê entre sete e 13 tempestades nomeadas no Atlântico, com de duas a seis podendo virar furacões e até duas chegando a furacões principais. Essa previsão indica menor atividade que a média histórica, que é de 14 tempestades nomeadas, sete furacões e três furacões principais.
Situação no Pacífico e histórico recente
A temporada de furacões no Pacífico Leste, que vai de 15 de maio a 30 de novembro, tem previsão de maior atividade devido ao El Niño. Já foram registradas 14 tempestades nomeadas, incluindo quatro furacões. Dois destes se tornaram furacões principais: Genevieve e Karina. Outra tempestade, o furacão Lowell, originou-se no Pacífico Leste, mas atingiu sua maior intensidade, categoria 5, no Pacífico Central.
Durante o último El Niño "muito forte", houve o recorde de três furacões categoria 4 simultâneos no Pacífico, demonstrando o impacto que esse fenômeno tem no aumento da atividade de furacões na região.
Assim, a temporada 2023 segue os padrões previstos pelo NOAA, com menos furacões no Atlântico e mais no Pacífico, influenciada diretamente pelo El Niño em curso.



