Procuradoria de Utah descarta pena de morte após DNA não corresponder a réu do corredor da morte

Retrial e nova evidência de DNA
Procuradores de Utah desistiram de buscar a pena de morte em um novo julgamento de Douglas Stewart Carter, 71 anos, que passou décadas no corredor da morte. Carter havia sido condenado em 1985 pelo assassinato de Eva Olesen, tia de um ex-chefe de polícia de Provo, com base em uma confissão assinada e depoimentos de duas testemunhas.
No entanto, uma recente análise de DNA recebida na terça-feira indicou que o material genético encontrado na maçaneta de uma porta e no cabo da faca usada no crime não corresponde a Carter. Apesar disso, a promotoria afirma que a nova evidência "não necessariamente exonera Carter do assassinato".
Controvérsias e denúncias de coação
A Suprema Corte de Utah ordenou um novo julgamento no ano passado, citando má conduta dos investigadores. Carter permanece preso e nega envolvimento no crime.
Um dos advogados de defesa, Neal Hamilton, solicitou o arquivamento das acusações, afirmando que não há mais base para o processo e que o cliente dele deve ser liberado até o julgamento, marcado para julho do ano que vem. Uma audiência para definição de fiança foi agendada para segunda-feira.
Carter alega que sua confissão foi coagida. Segundo os advogados, as testemunhas que afirmaram que ele teria se vangloriado do assassinato — um casal vivendo ilegalmente nos EUA — relataram ter sido coagidas pelos agentes e membros do Ministério Público durante interrogatórios. Eles teriam sido ameaçados de deportação e tiveram o aluguel pago para que acusassem o réu.
Além disso, os defensores afirmam que havia testemunhas que viram um homem branco fugindo da cena do crime. Também alegam que um investigador suprimiu evidências que poderiam apontar para outros suspeitos, incluindo Orla Olesen, marido da vítima, que morreu em 2009.
Os documentos indicam que as autoridades quase apresentaram acusações contra Orla, mas um tenente da polícia de Provo pediu que isso não fosse feito para continuar as investigações. Em seu depoimento, Orla relatou ter encontrado a esposa morta em casa, parcialmente sem roupa e com as mãos amarradas atrás das costas.
Próximos passos no caso
Jeffrey Gray, procurador do Condado de Utah, declarou que o estado reavaliará a continuidade do processo após a nova análise de DNA, embora Carter ainda não tenha sido inocentado pela lei. A arma usada para atirar na vítima nunca foi recuperada, e Carter havia confessado o crime.
A audiência de fiança será crucial para determinar se Carter será liberado até o julgamento, que abordará as novas evidências e controvérsias do caso.
Douglas Stewart Carter foi condenado décadas atrás e terá nova chance para provar inocência ou culpa, em julgamento reaberto pela Suprema Corte do estado após questionamentos sobre a validade das provas e da confissão. A questão racial e alegações de perseguição judicial são pontos centrais no caso em Utah.



