Condado de Orange aprova plano controverso de gastos com imposto do turismo de US$ 786 milhões

Gastos com imposto sobre hospedagem aprovados em meio a controvérsia
Os comissários do Condado de Orange, na Flórida, aprovaram na segunda-feira, após cinco horas de reunião, um polêmico plano de gastos de US$ 786 milhões provenientes do imposto sobre hospedagem. O plano destina US$ 350 milhões para a expansão do Dr. Phillips Center, que é um centro de artes cênicas de propriedade privada; US$ 52,5 milhões para um estacionamento no Camping World Stadium; e US$ 46 milhões para um estádio de futebol da Universidade Central da Flórida (UCF).
Esse imposto, conhecido nos Estados Unidos como turista development tax, é uma taxa de 6% cobrada sobre a diária de hotéis no condado e financia 13 projetos ao total. Apesar de uma proposta anterior prever mais US$ 50 milhões para o Dr. Phillips Center, esse valor foi reduzido para evitar impacto nas reservas do condado. O centro havia solicitado originalmente US$ 750 milhões.
"Acho que estamos cometendo um grande erro", afirmou a comissária Kelly Semrad antes da votação, sendo a única a votar contra o plano, aprovado por 6 a 1. A votação ocorreu duas semanas antes das eleições que definirão a composição da Comissão do Condado de Orange, incluindo a escolha do prefeito local e dois novos distritos eleitorais.
Críticas de trabalhadores e entidades do turismo
O atual prefeito Jerry Demings, que encerra seu mandato em breve, defendeu o plano e sua atuação no governo, afirmando que dedicou sua vida à comunidade e que não tomará decisões que prejudiquem os moradores do condado. No entanto, o plano enfrentou oposição de membros da comunidade, sindicatos de trabalhadores dos principais parques temáticos e até representantes da Universal e SeaWorld.
Esses grupos pediram uma pausa na aprovação do plano por alegarem que o processo foi acelerado e a participação da indústria restrita. Uma carta assinada por sindicatos, legisladores democratas estaduais e grupos comunitários solicitou mais tempo para analisar o tamanho e o alcance dos projetos propostos para o imposto turístico.
Segundo Semrad, professora de hospitalidade na UCF, a coalizão que se formou é incomum e merece atenção da Comissão. Já a equipe do prefeito afirmou que os maiores parques – Disney, Universal e SeaWorld – foram convidados para participar do grupo consultivo, mas declinaram. Ainda destacaram que houve 30 horas de reuniões públicas disponíveis online, contrariando as críticas sobre o processo.
Ella Wood, representante do sindicato Unite Here Local 737 e membro do grupo consultivo, afirmou que o grupo votou sobre os projetos a considerar, mas não analisou valores específicos ou orçamento disponível até o último dia.
Também foram manifestadas dúvidas sobre o retorno dos investimentos públicos nos projetos, especialmente no que diz respeito ao impacto na comunidade, geração de empregos e atração de turistas que contribuam para os negócios locais permanentes.
Desafios legais e política local em debate
Há esforços em andamento para alterar a legislação estadual que limita o uso da receita do imposto turístico. Atualmente, pelo menos 40% desse imposto deve ser usado para marketing turístico, impedindo que parte dos recursos financiem habitação acessível, transporte e infraestrutura.
Legisladores democratas locais tentam flexibilizar essa regra em Tallahassee, mas a indústria do turismo resiste. Com eleições próximas, há esperança entre os defensores da reforma, já que ambos candidatos ao governo da Flórida manifestaram abertura para mudanças.
Nicholas Vitale, do movimento ambiental Sunrise Movement, ressaltou a importância de investir em transporte e habitação para que os locais e turistas possam de fato usufruir dos espaços turísticos. Por outro lado, Demings mostrou-se cético quanto a esperar por essas possíveis mudanças, afirmando que o governo deve agir com base na realidade atual e não em hipóteses.
Projetos menores e preocupações orçamentárias
Alguns comissários apoiaram projetos menores e menos polêmicos fora da área turística principal em International Drive, como US$ 25 milhões para um museu infantil em Winter Garden, US$ 20 milhões para um distrito histórico em Eatonville e US$ 12,5 milhões para um festival de arte e cultura no centro de Orlando.
O financiamento para alguns projetos só terá início entre 2027 e 2029. O controlador do condado, Phil Diamond, informou que, segundo a estimativa da receita do imposto turístico, não haverá disponibilidade para novos projetos até 2033.
Há também preocupação com a Emenda 3 na cédula de novembro, que pode eliminar centenas de milhões de dólares em receita do imposto sobre propriedade para o condado. Para críticos, o plano de gastos atual, liberando amplamente fundos para turismo, pode prejudicar a narrativa para manter os serviços públicos caso a emenda seja aprovada.
Lista completa dos projetos no plano aprovado
A reportagem original inclui a lista completa dos 13 projetos financiados com o imposto turístico de US$ 786 milhões.



