Mount Dora aprova expansão de R$ 570 milhões em estação de tratamento, mas mau odor persiste

Expansão de estação de tratamento com custo elevado
Mount Dora, cidade conhecida por seu centro histórico e vista para lagos, enfrenta reclamações constantes de mau cheiro. A prefeitura aprovou um acordo de pré-construção no valor de US$ 675.010 (cerca de R$ 3,6 milhões) com a empresa Wharton-Smith Inc., para avançar em um projeto total estimado em US$ 105,6 milhões (aproximadamente R$ 570 milhões) para expandir uma das estações de tratamento de esgoto, chamada Wastewater Treatment Facility No. 2.
Localizada na 2099 James P. Snell Drive, perto da State Road 46 e da US Highway 441, a planta pretende ampliar sua capacidade de tratamento de 1,5 milhão para 3,5 milhões de galões por dia (aproximadamente de 5,7 milhões para 13,2 milhões de litros diários). A expansão contempla novos equipamentos para controle de odor e melhorias no processo de tratamento. Contudo, a cidade esclarece que o mau cheiro difundido não decorre dessa estação.
O acordo de pré-construção permite à Wharton-Smith participar do planejamento e garantir o melhor custo-benefício e eficiência, mas não representa aprovação final da obra.
Investigação aponta aterro sanitário como fonte do cheiro
Em estudo realizado em 2025 pela V&A Consulting Engineers, investigação indicou que o odor persistente em Mount Dora provavelmente se origina no aterro sanitário Mid Florida Mount Dora, situado próximo à cidade. A pesquisa avaliou a presença de sulfeto de hidrogênio, gás que exala cheiro típico de ovo podre, além de analisar o deslocamento do odor pelo vento e observações técnicas no local. Entretanto, os investigadores não tiveram acesso direto ao aterro, o que limita a conclusividade dos resultados.
Moradores seguem reportando cheiro forte, inclusive em plataformas públicas como o SmellMyCity, uma ferramenta para registrar odores desagradáveis na comunidade.
Custos e impacto para moradores
A ampliação será financiada por uma combinação de verbas federais do State Revolving Fund (programa de financiamento para infraestrutura hídrica) e taxas de impacto cobradas de novos empreendimentos conectados à rede de esgoto. Essas taxas são comuns nos Estados Unidos para custear estruturas necessárias ao crescimento urbano.
Embora a prefeitura informe que os custos serão cobertos majoritariamente por novas construções, não descarta futuras revisões nas tarifas de esgoto pagas pelos moradores atuais. Nenhum percentual de aumento foi detalhado até o momento.
Moradores como Aida Gregory, que vive e trabalha na cidade há 11 anos, relatam que o cheiro causa desconforto, irritando olhos e nariz, e gostariam que a questão fosse resolvida sem que as contas de água e esgoto aumentassem.
Cronograma e perspectivas
O projeto preliminar prevê início da construção em setembro de 2027, com conclusão estimada para março de 2030. A prefeitura destaca que esses prazos podem sofrer alterações conforme andamento dos projetos, obtenção de financiamentos e aprovações futuras.
Mesmo com a inclusão de tecnologia para mitigar odores na expansão, as autoridades reforçam que isso não eliminará os cheiros detectados em grande parte da comunidade, já que a estação de tratamento não é a principal fonte do problema.
A preocupação de moradores e empresários locais é garantir que a cidade mantenha sua imagem positiva durante e após a obra, respeitando as necessidades da população e visitantes.


